quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Pequeno diário
Na sala de espera de uma clínica da cidade. Sem comer há mais de 12 horas e não era uma fome. Era uma espera, numa clínica. Mais uma hora no aguardo e não era uma fome. Fome é outra coisa. Sede é outra coisa. A tv ligada, o jornal para ler. Pela tv assaltam cenas dos caminhoneiros parando as estradas em diversos estados, principalmente no Paraná. Mas só isso que se sabe. São filas. Motoristas de carros, não fiquem com fome, pode-se passar pela faixa lateral. Fim. No jornal, que leio, cheiro e folheio, a história de toque de recolher numa cidade vizinha. Entendi não muito mas li sobretudo as palavras "guerra civil", policiais, donos de estabelecimentos comerciais, escolas, mortes, policiais, insegurança, policiais, armas proibidas, policiais, vila, medo, pescadores, policiais, curioso, batalhão. não lembro de ter lido a palavra tráfico. Outra matéria com o prefeito dessa cidade (não da outra) que não li, porque achei que o destacado bastava, dizia precisamos aumentar o efetivo de policiais. Mas a tv continua, e num programa de receitas a apresentadora volta a falar sobre os caminhões, mas dessa vez as palavras foram; frete, aumento, estradas, prejudicial à economia, abastecimento, gasolina, gasolina, gasolina, gasolina e aii gasolina. Toca um sinal. Me chamam, ah, agora você pode comer. Ah, sim, eu posso comer. Por isso nunca foi fome. Fome é outra coisa. Não apareceu nesses jornais de agora. Os caminhoneiros. Eles sentem fome? Não vi o rosto deles. Não vi o rosto da população da cidade ao lado. Não vi o rosto dos policais, policiais, policiais.....nossa policiais. Fico tonta. Vou comer, é, porque eu posso. Quem não pode vai arrotar essas palavras, como fantasia de saciedade.
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