Vida de Maricota
Desabafos, vida, silêncios, pensamentos e impulsos..
segunda-feira, 9 de março de 2015
Feijões
Amanhã, dia 10 de março, se completam 10 anos de vida compartilhada com meu companheiro. Pode isso? Pode, e com emoção. Daí que é isso. Dia 10, do mês 03, os números vão passando e vamos nos dando conta de que o tempo também passou. E ele voa, apesar de de vez em quando tocar lento, enfadonho. E o tempo voando, entra como vento na minha janela. Feijão no fogo. Entre tantas memórias desses anos, me lembrei com carinho de como me apaixonei por fazer feijão. Veja só. Eu já sabia que era água, panela, sal. Tinha acabado de me mudar. Estava encantada. Havia escolhido a cor da parede da sala, e tinha uma cama de casal no quarto. Podia me dar ao luxo de escutar o que queria, e descobrir um mundo novo, a dois, a três. O mundo novo foi o da cozinha. O fogão chegou depois. Junto com umas panelas que ganhei de uma tia, panelas já usadas, mas que devem saber muitas histórias porque elas também estão comigo até hoje. A panela de pressão era nova. Então era isso. O silêncio, eu, o fogão e aqueles utensílios. Lembro que eu trabalhava longe, ia de ônibus. E de ônibus, a gente ouve as histórias das pessoas, né? Meio de cantinho ás vezes, mas a gente também se reconhece. Então era a conversa de duas meninas moças. E elas contavam uma à outra os segredos de um feijão saboroso. Estava feita. Cheguei e fiz o feijão....lembro da ousadia de usar uma panela de pressão sem medo, mas não lembro do resultado exato. E nosso dia a dia da, hoje na sala que tem agora a parede laranja o feijão que queima, o que você coloca sal demais, o que você coloca um tempero mais forte, o que não dá para comer, o absurdamente bom, o que vira sopa, vira caldo, vira feijão com farinha, vira nada, o feijão roxo, o verde, o de corda, o branco, o fradinho são descobertas que a gente refaz sempre, nesse trajeto de descoberta, troca e reconhecimento. Voa mais tempo, venta, traz mais cheirinho de tempero.
um nove de março, entre tantos....
Dia 09 de março, de 2015. Eu sei que nesse dia muita coisa aconteceu, muitos nascimentos, aniversários, decisões importantes. Mas pessoal, eu sou mãe, então o dia foi importante porque assim se deu um pequeno passo para um futuro próximo:
Eram 12:55, na rua onde moro e onde fica o colégio do João Moreno. Andávamos lado a lado quando ele para e me fala:
- Mãeeee, deixa eu ir sozinho daqui.
Vejam bem, eu, que fiz isso já ousei questionar.
- Por que?
_Porque mãe, eu já tenho oito anos, vou fazer nove já. Já imaginou? Eu tenhooooooo que ir sozinho.
Ouvi uns sinos, umas buzinas, quase tropecei. Fiquei eufórica, contente, quis assoviar, cantar. Depois ouvi uns trovões, o coração apertou, e eu respirei fundo, bem fundo...
- Vai, filho...olha a avenida...- e dei uns passinhos atrás. Incrível a vontade de pegar na mão dele, enquanto pensava, ai os carros passam rápido, vai passarinho, voa, mas cuidado. Atravessei a avenida em seguida, sem ele perceber. Mas sem eu perceber, o menino corria, corria até o portão da escola. Me restou ver seu tênis vermelho entrando nos portões, e a mãe à espreita. O amor à espreita, o amor inteiro, e o tempo tic tac...revelando a estrada.
Eram 12:55, na rua onde moro e onde fica o colégio do João Moreno. Andávamos lado a lado quando ele para e me fala:
- Mãeeee, deixa eu ir sozinho daqui.
Vejam bem, eu, que fiz isso já ousei questionar.
- Por que?
_Porque mãe, eu já tenho oito anos, vou fazer nove já. Já imaginou? Eu tenhooooooo que ir sozinho.
Ouvi uns sinos, umas buzinas, quase tropecei. Fiquei eufórica, contente, quis assoviar, cantar. Depois ouvi uns trovões, o coração apertou, e eu respirei fundo, bem fundo...
- Vai, filho...olha a avenida...- e dei uns passinhos atrás. Incrível a vontade de pegar na mão dele, enquanto pensava, ai os carros passam rápido, vai passarinho, voa, mas cuidado. Atravessei a avenida em seguida, sem ele perceber. Mas sem eu perceber, o menino corria, corria até o portão da escola. Me restou ver seu tênis vermelho entrando nos portões, e a mãe à espreita. O amor à espreita, o amor inteiro, e o tempo tic tac...revelando a estrada.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Pequeno diário
Na sala de espera de uma clínica da cidade. Sem comer há mais de 12 horas e não era uma fome. Era uma espera, numa clínica. Mais uma hora no aguardo e não era uma fome. Fome é outra coisa. Sede é outra coisa. A tv ligada, o jornal para ler. Pela tv assaltam cenas dos caminhoneiros parando as estradas em diversos estados, principalmente no Paraná. Mas só isso que se sabe. São filas. Motoristas de carros, não fiquem com fome, pode-se passar pela faixa lateral. Fim. No jornal, que leio, cheiro e folheio, a história de toque de recolher numa cidade vizinha. Entendi não muito mas li sobretudo as palavras "guerra civil", policiais, donos de estabelecimentos comerciais, escolas, mortes, policiais, insegurança, policiais, armas proibidas, policiais, vila, medo, pescadores, policiais, curioso, batalhão. não lembro de ter lido a palavra tráfico. Outra matéria com o prefeito dessa cidade (não da outra) que não li, porque achei que o destacado bastava, dizia precisamos aumentar o efetivo de policiais. Mas a tv continua, e num programa de receitas a apresentadora volta a falar sobre os caminhões, mas dessa vez as palavras foram; frete, aumento, estradas, prejudicial à economia, abastecimento, gasolina, gasolina, gasolina, gasolina e aii gasolina. Toca um sinal. Me chamam, ah, agora você pode comer. Ah, sim, eu posso comer. Por isso nunca foi fome. Fome é outra coisa. Não apareceu nesses jornais de agora. Os caminhoneiros. Eles sentem fome? Não vi o rosto deles. Não vi o rosto da população da cidade ao lado. Não vi o rosto dos policais, policiais, policiais.....nossa policiais. Fico tonta. Vou comer, é, porque eu posso. Quem não pode vai arrotar essas palavras, como fantasia de saciedade.
o mundo e suas reticências.....
tem dias que o mundo dói. Tem dias que o mundo ri, que o mundo morde, que o mundo sol, que o mundo chuva. Tem dias, que o mundo dentro, o mundo mudo. o mundo muda?
Manhã
Eu gosto do silêncio do quarto. De manhãzinha. A luz baixa ainda. Você dormindo. O hidratante, o blush e o batom que deixei na cômoda. A caixa da minha avó. A vitrola. Os discos. A foto do pequeno, ainda pequeno lembrando que o tempo passa. Os pensamentos todos que rodaram comigo na cama, agora bagunçada. Você sonhando......e tic tac, tic tac....o silêncio grandioso...tic, tac, tic, tac.....a manhã.....tic, tac, tic, tac....os pensamentos no lençol....tic...vou-me embora. tac...o blush....
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
3x4
Achei uma foto 3x4 sua. De terno. Guardei. Subitamente, me lembrei de tudo o que não fui e nem nunca serei. Mais de súbito ainda me lembrei do que sou e beijei a foto.
Saudades
Você me ligou e me agradeceu, com muito carinho. Disse que tava tudo bem, contou uma piada. Quis falar com o Enrico, fez questão. Deixou beijo pros meninos.Como uma mãe chata, pedi para você cuidar da sua alimentação. Você riu, me chamou de doida.
Antes de deitar, te mandei uma foto on-line , mas não dormi bem naquela noite. Tudo bem né? Durante várias noites não dormia bem e em algum momento o dia sempre amanhece.
Pela manhã quando voltei para casa eu mal acreditei no que ouvia. Peguei um shorts, um lenço e uma mochila e fui me despedir de você. Acho que ás vezes, mal entendo até hoje. O fato é que pai, isso faz um ano amanhã. E eu ainda escuto sua voz. Agora mesmo, eu escuto o jogo do Corinthians e descubro que o Edu Dracena tá jogando com a gente. Escutei sua risada, tirando sarro. Vejo você nervoso, xingando um pouquinho. Escuto você dizer que o João Moreno é o menino mais lindo do mundo...e de repente tenho 03 anos e você canta uma música bonita para mim, ou eu assisto um seriado com uma música italiana linda que fala sobre a Colônia Cecília, ou você briga comigo porque "sindicalismo, Maria Fernanda é coisa do passado." E o tempo, ah o tempo ri de mim, escapa,e de repente....eu te amo tanto! Gratidão. "
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